Gênero e Água na África
Os governos e os financiadores serão incentivados a priorizar o empoderamento das mulheres e a igualdade de gênero, como forma de assegurar o progresso real na África. Especialistas sugerem que a implementação dos compromissos assumidos pelos direitos humanos das mulheres e a igualdade de gênero sirvam de base para a erradicação da pobreza e para um desenvolvimento sustentável.
Os governos africanos chamam atenção pela ratificação e desenvolvimento de políticas. No entanto, o desempenho deixa a desejar à implementação das mesmas, o que ficou evidente no recente relatório de avaliação do desempenho do governo vis-à-vis seus compromissos com a igualdade de gênero e com os direitos humanos das mulheres feito pela UNECA. O progresso das mulheres e sua participação nos processos de tomada de decisão são freados por obstáculos graves, mas já conhecidos, como a pobreza crônica, violência inter-geracional e práticas abusivas, a falta de acesso igualitário à saúde, impacto de conflitos armados e desastres naturais.
O Fórum de Mulheres Africanas irá enfocar na saúde e no empoderamento da população feminina, e também irá discutir a melhoria do acesso à saúde reprodutiva e o foco na saúde materna – ODM 5 – que é o ODM menos provável de ser alcançado. A mortalidade materna continua inaceitavelmente alta em muitos dos países em desenvolvimento, com uma mulher morrendo a cada minuto (mais de 500.000 por ano) por complicações decorrentes de gravidez ou parto, sendo que um pouco mais da metade dessas mortes ocorre na África subsaariana. Similarmente, a desigualdade de gênero é um fator determinante da epidemia da AIDS. As mulheres africanas constituem o maior segmento demográfico afetado pelo HIV e a AIDS, representando 58 por cento dos 25 milhões de africanos infectados pela doença.
As mulheres do continente africano não colheram mudanças significativas do desenvolvimento de suas economias nacionais nos últimos anos. A liberalização e a privatização, assim como a mudança na estrutura familiar, marginalizaram ainda mais as mulheres. Elas são, atualmente, a base da economia informal, especialmente no setor agrícola. Elas não têm acesso a recursos produtivos, incluindo crédito, terra, serviços técnico e de apoio.
Os países africanos avançaram particularmente em relação ao aumento da participação política das mulheres. Isto é o resultado de cotas governamentais e assentos reservados para mulheres em órgãos legislativos nacionais e locais. O número de cadeiras legislativas ocupadas por mulheres aumentou de sete por cento em 1990 para 17 por cento em 2007, o que é compatível à média global. Ruanda é hoje se destaca por se o primeiro país do mundo em termos do número de mulheres eleitas ao parlamento, que supera o de homens, como indica o resultado provisório das eleições.
Os participantes do Fórum de Mulheres Africanas - representantes dos Estados-membros, países financiadores, instituições regionais, setor privado e grupos da sociedade civil – irão pedir aos governos e outros detentores de poder que os compromissos se traduzam em ações.
DETALHES SOBRE O FÓRUM DE MULHERES AFRICANAS
Data e Hora: 22 Setembro 2008, 15:00–18:00
Local: Sala de Conferência 3, Secretariado da ONU
Expositoras: Sra. Vabah Gayflor, Ministra de Gênero da Libéria; Sra. Rosemary Museminali, Ministra de Relações Exteriores de Ruanda; Sra. Benita Ferrero-Waldner, Comissária de Relações Exteriores, Comissão Européia; Sra. Ingibjörg Sólrún Gísladóttir, Ministra de Relações Exteriores e Comércio Exterior da Islândia; Sra. Nilcea Freire, Secretária Especial de Politicas para as Mulheres da Presidência da República Federativa do Brasil; Sra. Litha Musyimi-Ogana, Diretora da Diretoria das Mulheres e Gênero, Comissão Africana; e Sra. Carin Taylor, Gerente Sênior, Eficiência Organizacional, CISCO Systems, dentre outros(as).
Realização: UNIFEM
Patrocinadores: OSAA, UNAIDS, UNFPA, UNICEF, UNV, ITC, UNECA, AU
Apoio: Missão Permanente da Libéria, Ruanda, Islândia e a União Africana e Comissão Européia.
(O Fórum será aberto à mídia.)
FONTE: unifem
